FAKE FASHION

O mercado ilegal dos produtos fake

Não é de hoje que todos nós sabemos da falsificação de produtos de marca, principalmente de artigos de luxo como roupas, acessórios e calçados falsificados. Atualmente, o mercado ilegal de produtos fake tem um alcance muito maior através das compras online e, só em 2017, chegou a movimentar $460 bilhões de dólares de acordo com a International Trademark Association (INTA) – associação global de profissionais e proprietários de marcas dedicada a apoiar marcas registradas e propriedades intelectuais. Mas o que está por trás da origem desses itens?

Hoje em dia, a produção desses produtos falsificados se concentra majoritariamente na China, porém a Turquia tem a fama de fabricar peças de roupas falsas muito similares às legítimas. Além disso, especialistas no assunto afirmam que houve um alto crescimento no consumo de fakes, principalmente online, onde é muito mais fácil maquiar que o artigo falso é idêntico ao original, o que acarreta em muitos consumidores que compram bolsas, óculos e demais itens falsos sem saber.

Isso se deve ao fato de que a qualidade desses produtos tem aumentado junto com suas vendas, pois uma grande porção das marcas de moda tem realocado suas produções para a China, onde elas têm mais dificuldades em controlar as fábricas. “Às vezes a fábrica produz 10000 unidades e então faz mais 2000 unidades em paralelo e as vende mais barato. Elas não são tão ruins tratando-se de qualidade porque elas vêm da mesma fábrica,” diz a advogada Cassandra Hill, especialista no assunto.

Entretanto, as autoridades alertam sobre os perigos desses produtos piratas, principalmente cosméticos como maquiagem e cremes faciais. O isótopo radioativo cobalto-60 é frequentemente encontrado em alças de metal e, produtos químicos usados para tingimento e curtume do couro não são manipulados corretamente, podendo causar alergias e irritações na pele. Os óculos, por exemplo, costumam não ter proteção aos raios ultravioletas. Além disso, esses produtos podem serem frutos de trabalho escravo infantil e crime organizado em escala global, os fabricantes não precisam pagar taxas e tampouco se importam com a saúde e segurança do consumidor final.

As marcas combatem a pirataria ativamente, seja através de etiquetas especiais com números seriais únicos ou métodos mais tradicionais, como a Hermès que usa um tipo de linha coberta com cera de abelha em todas as costuras de suas bolsas que, já de cara, apresenta diferença da linha sintética. Outras já levam a pirataria para os tribunais: em 2008, o site eBay foi sentenciado a pagar 38,6 milhões de euros à Louis Vuitton nas cortes de Paris.

Será que vale mais a pena gastar quantias enormes de dinheiro em uma peça original ou pagar menos da metade do preço em uma fake praticamente idêntica, mas de origens duvidosas? Uma coisa é certa: enquanto for possível e houver demanda o consumo de artigos de luxo, os falsificados estão longe de acabar.

Fonte: Fashionista, TED e Vogue.