UGLY FASHION

Bonito ou feio? A nova contradição da moda

Novas tendências vêm e vão, mas uma coisa que todos nós que aderimos à elas podemos concordar é que as adotamos porque as consideramos maravilhosas enquanto ainda são novidade. Contudo, nesse último ano, uma nova tendência vem ficando cada vez mais forte, é o “ugly fashion” ou a preferência por roupas e acessórios que são tradicionalmente já considerados feios.

Mas a questão é por que que, de repente, está todo mundo obcecado em usar aqueles itens que faziam todo mundo torcer o nariz como as pochetes dos nossos pais nos anos 90, os crocs da Balenciaga ou os tênis eleitos como tendência da temporada, os daddy shoes?

Uma das possíveis explicações por trás dessa nova onda de itens feios é a supersaturação de mesmas silhuetas, cores e estampas que cansam os consumidores à procura de se tornarem mais autênticos via peças “diferentonas”.

O ugly fashion surge dessa dinâmica de não se levar tão a sério, considerado como o novo “cool”, e a moda quase que trollando a si mesma com essa nova estética é uma maneira de pararmos para refletir sobre o que consumimos. Da mesma maneira que queremos aderir à trend do momento e adquirir aquela pochete super estilosa para compor o look, não significa necessariamente que esse desejo será saciado por outro modelo senão o da Gucci que custa aproximadamente R$4300.

Também há vertentes que justificam essa nova estética como uma resposta ao crescimento dos movimentos feministas como a campanha nas redes sociais #MeToo. Existe um espírito de revolta contra os valores tradicionais do vestir-se para os outros e/ou conforme a norma e, nesse sentido, o ugly fashion é uma forma de protesto que demonstra que não estamos mais presos à opinião e validação dos outros.

Ao analisar esse movimento é possível perceber que ele pode muito bem ser o resultado de todas essas questões conflitantes em conjunto criando uma tempestade perfeita de controvérsias no mundo da moda.

Fontes: Harper’s Bazaar AU, The Lily, WGSN.